A medicina no Brasil em estado de crise
Pode ser apenas uma impressão. Ou uma percepção que acaba formando o que chamamos de reputação. Mas a quantidade de erros médicos em clínicas e hospitais; as queixas de pacientes que não conseguem atendimento no SUS ou pelo próprio plano de saúde para cirurgias; a série de denúncias contra profissionais que se passam por médicos, apenas porque fizeram um curso de curta duração e já saem clinicando; assédios e até estupros cometidos por profissionais da área, tudo isso mostra que a saúde no Brasil, particularmente em relação aos médicos, está bem doente.
Passada mais de semana do estouro da Operação “Carne Fraca”, da Polícia Federal, foi preciso decantar tudo que rolou nesse controvertido processo para tentar analisar o que isso tem a ver com comunicação, com gestão de crises, reputação e imagem.
Francisco Viana*
Se pudiéramos vernos al modo que nos ven los outros o al modo que nos verían se lo supieran todo, seria inevitable una reforma general. (Adam Smith, Teoría de los Sentimentos Morales).
A operação "Carne Fraca" e as denúncias da Polícia Federal sobre a venda de carne deteriorada por vários frigoríficos traz à tona uma questão ainda sem resposta: qual o grau de confiança que o consumidor, seja brasileiro ou internacional, pode ter na carne brasileira, inclusive aquela vendida pela midiática marca Friboi, de propriedade da JBS?
As empresas aéreas brasileiras, com o respaldo da Agência Nacional de Aviação-Anac e o apoio dos sindicatos e associações patronais querem que o consumidor brasileiro pague pelos prejuízos acumulados ao longo dos últimos anos. Para isso, elas estão autorizadas a cobrar por mala despachada, a partir do dia 14 de março. Sob o argumento falacioso de que esse aumento poderá ensejar redução da tarifa, a decisão está sendo contestada e questionada por várias entidades, por ferir o Código de Defesa do Consumidor.
O primeiro pronunciamento de Donald Trump ao Congresso americano, dia 28, e praticamente a primeira manifestação oficial do presidente dos EUA, após a eleição, pode ter recebido muitos aplausos. Compreensível, porque a maioria do Congresso é republicana e a cada declaração polêmica, provocadora, reacionária e, na maior parte das vezes, exagerada e até mesmo errada, os apoiadores ficavam de pé e aplaudiam. Mas a retórica populista junto com a performance televisiva de Trump não convenceram a maioria dos analistas políticos e jornalistas, principalmente dos veículos de comunicação, atacados pelo presidente nesses primeiros 40 dias.
“Fake News” - notícias falsas. Todos nós provavelmente já vimos o termo citado em jornais, na TV e no rádio, mas principalmente nas redes sociais. “Fake News” é o que o mentecapto presidente americano Donald Trump adotou como mote para classificar as notícias que ele não quer que publiquem. Ditadores ou chefes despóticos não gostam de ser criticados, como se fossem donos da verdade. “Fake News” é o que Trump mais usou durante a campanha para desqualificar a candidata oficial, principalmente pelas redes sociais.
A semana foi marcada pela grave crise no estado do Espírito Santo. Por qualquer ângulo que for analisado esse episódio, ali ninguém se salva, dos policiais ao governo. As autoridades do estado ficaram refém de uma minoria de policiais que brincavam de greve, com o respaldo dos próprios parentes, principalmente mulheres, para dizer que elas, como “minoria frágil”, não poderiam ser confrontadas ou afastadas na base da força. Além de irresponsável e covarde, o ato foi ilegal e durante uma semana a segurança da população foi “sequestrada” e o governo estadual acabou enredado na crise.