
Maior crise corporativa do país completa sete anos
O rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho, completou sete anos no último dia 25 de janeiro. É considerada a maior crise corporativa da história do país, não apenas pelo número de vítimas, 272 pessoas, como pelo impacto dos rejeitos despejados no meio ambiente da região. Dano esse irreparável e que irá perdurar por muitos anos. Aproveitando essa data, que deverá ser lembrada todos os anos, principalmente pelos parentes das vítimas, publicamos artigo do saudoso jornalista Francisco Viana, que em março de 2019, poucos dias após o rompimento, fez uma excelente reflexão sobre essa tragédia. Chico Viana faleceu sete meses após esse acidente, em 25 de agosto de 2019.
Em apenas 15 dias, o mês de julho já está marcado como um dos mais violentos deste ano, por conta de atentados e tiroteios que não param de ocorrer. O mundo globalizado fracassou na tentativa de eliminar fronteiras, barreiras comerciais e imigratórias e transformar a aldeia global num lugar onde se possa conviver em paz. O progresso, as novas tecnologias não têm ajudado a tornar nossa vida mais segura. Os terroristas e lobos solitários resolveram se comunicar por meio da barbárie. Não poupam inocentes; muito menos as crianças. Não importa onde. Pode ser numa rua da França ou num mercado do Oriente Médio.
Será que o recorrente recall salva ou ajuda a melhorar a reputação das grandes indústrias? A Toyota acaba de anunciar o recall de 2,87 milhões de veículos por possíveis falhas com unidades de controle de emissões. Além disso, também faz recall de 1,43 milhões de veículos por defeito em airbags, o que totaliza 3,3 milhões de veículos Toyota sofrendo reparos num curto período de tempo. O defeito no airbag de modelos como Prius e Lexus teria causado pelo menos 11 mortes em acidentes em diferentes países.
Associações de imprensa e das emissoras de rádio e televisão divulgaram notas oficiais hoje em apoio à decisão da Ministra Rosa Weber, do STF, que concedeu liminar para suspender a tramitação de 42 ações impetradas por juízes do Paraná contra o jornal Gazeta do Povo e cinco jornalistas. O jornal publicou, em fevereiro, reportagem sobre os rendimentos mensais recebidos pelos magistrados, com base na Lei de acesso à informação, não divulgando absolutamente nada sigiloso, mas dados públicos. E as ações começaram a se suceder, numa ação articulada e apoiada pela associação estadual.
Francisco Viana*
... E uma das coisas que o príncipe deve evitar é ser odioso. (Maquiavel, O príncipe[1]).
Cassio: Reputação, Reputação, perdi minha reputação. Perdi a parte imortal, senhor, de mim mesmo – e o que resta é animal. Reputação, Reputação, perdi minha reputação.
Iago: Honestamente, pensei que havia recebido algum ferimento no corpo, que é bem mais grave do que na reputação. Reputação é uma invenção inútil e fabricada, muitas vezes conseguida sem mérito e perdida sem merecimento. Ninguém perde nada de reputação a não ser que se repute um perdedor. (Shakespeare, Otelo [2]).
As manchetes diárias estão repletas de empresas que enfrentam crises graves. Nos últimos dias, vimos corporações multinacionais, como a Disney, nos EUA, e empresas nacionais como Samarco e Oi enfrentarem situações que atingiram em cheio a reputação. A sua empresa está preparada para um evento negativo? Assim como Volkswagen, BP, Malaysia Airlines, Petrobras, Toshiba tiram lições e aprendem com os erros de gestão e acidentes que enfrentaram, nenhuma organização está livre de ser atingida por uma crise a qualquer momento. Essas são grandes empresas e assim mesmo tropeçaram.
A delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que caiu em Brasília como um tsunami, pode dar a impressão de que esse senhor repentinamente se transformou num herói, porque teve a coragem de revelar segredos da alcova do poder dos últimos 20 anos. E expôs como as empresas estatais se transformaram em polpudos cofres destinados a enriquecer partidos e caciques das mais diferentes agremiações.
Com isso, corremos o risco de transformar criminosos e ladrões em heróis nacionais, num país tão carente de líderes e referências. Seria bom dar o peso devido a esses delatores, não importa o que tenham sido, que só concordam em falar após experimentarem o aperto de um camburão da Polícia Federal, as duras camas e o frio de Curitiba e a perspectiva de, grande parte deles, morrerem na prisão.









