
Maior crise corporativa do país completa sete anos
O rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho, completou sete anos no último dia 25 de janeiro. É considerada a maior crise corporativa da história do país, não apenas pelo número de vítimas, 272 pessoas, como pelo impacto dos rejeitos despejados no meio ambiente da região. Dano esse irreparável e que irá perdurar por muitos anos. Aproveitando essa data, que deverá ser lembrada todos os anos, principalmente pelos parentes das vítimas, publicamos artigo do saudoso jornalista Francisco Viana, que em março de 2019, poucos dias após o rompimento, fez uma excelente reflexão sobre essa tragédia. Chico Viana faleceu sete meses após esse acidente, em 25 de agosto de 2019.
O acidente que matou 18 pessoas, a maioria estudantes, e feriu outras 28 pessoas (algumas em estado grave) na noite de quarta-feira (8), na Rodovia Mogi-Bertioga, próximo ao litoral de São Paulo, é mais um capítulo na tragédia diária de nosso trânsito. O acidente mais uma vez expõe com toda a crueza e dor a incompetência das empresas rodoviárias, dos sindicatos de motoristas, das polícias e das autoridades para fiscalizar e disciplinar viagens de coletivos pelas estradas do país.
A crise da mineradora Samarco tem propiciado algumas lições de gerenciamento de crise relacionadas ao meio ambiente, mais pelos erros do que pelos acertos. Existem problemas que ocorrem na gestão das ações dessa crise, muitos pela ação do Ministério Público, e outros na área de relações públicas, quando a empresa tem dificuldade de se comunicar de maneira efetiva e proativa. Ou porque os porta-vozes cometem equívocos.
A abertura do sigilo da delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, junto com emails que teriam sido decifrados pela Polícia Federal, deixam a situação da presidente afastada (adjetivo legal, mas esquisito e humilhante) pior do que já estava. Esses dados que vêm à tona nesta semana acabam mostrando aquilo que a maioria dos brasileiros fala nos bastidores, a mídia tem o maior cuidado para endossar e os militantes negam: Dilma sabia de tudo o que de e'rrado acontecia na Petrobras.
Estamos nos aproximando dos Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro. Mas a expectativa de um megaevento, atraindo milhares de turistas, o que ajudaria a combalida economia da cidade, pode não se confirmar. A mídia internacional tem sido implacável em ridicularizar o Brasil, pelo momento político e econômico por que está passando. E o Rio de Janeiro, em particular, pelas sucessivas escorregadas que comprometem ainda mais a reputação da cidade para sediar um evento dessa magnitude.
Charles Fombrun, autor do livro Reputation*, usa a expressão “capital reputacional” para definir aquele capital intangível que uma corporação ou pessoa, seja na vida pessoal ou profissional, conseguiu construir ao longo da existência ou da carreira. O capital reputacional ou reputação é aquilo que os outros percebem em você ou na organização, como uma marca; não o que você ou a empresa acha que tem. Reputação não é uma fotografia do momento. É um ativo construído ao longo dos anos. Não adianta dizer “eu sou uma mulher honesta”, “eu não tenho nada a esconder”, “não há nada nas minhas palavras que me incrimine”. Isso não constrói nem ajuda a melhorar ou salvar a reputação.
Francisco Viana*
Sim, a recomendação é de Thomas Piketty e está em "O capital do século XXI". Ele diz textualmente: “ … Me parece que os pesquisadores em ciências sociais de todas as disciplinas, os jornalistas e comentaristas, os militantes sindicais de todas as tendências e, sobretudo, os cidadãos deveriam se interessar com seriedade pelo dinheiro, por sua medida, pelos fatos e pela evolução que o rodeia”. Piketty está preocupado com a concentração da renda, que desafia a gravidade, mas bem que poderia dar essa recomendação aos brasileiros. Nós precisamos fazer contas.









