
A Copa do Mundo não é nossa: discriminação, racismo e mercantilismo
Quatro anos passam rápido. O Brasil se preparou para aquele tradicional período em que, de norte a sul, muita gente começa a curtir o clima de Copa do Mundo e, naturalmente, da seleção brasileira de futebol, como favorita para ganhar mais um título. Aquele clima de “Pra frente Brasil”... Não é o caso agora. O grupo de jogadores convocados pelo técnico Carlo Ancelotti em sua maioria não joga no Brasil e alguns nunca jogaram. Foram direto para usufruir dos cofres cheios das equipes da Liga dos Campeões da Europa ou para outros países, com salários bem superiores aos pagos no Brasil. “Como a grande maioria deixa o país muito cedo para se formar sob a lógica europeia, o torcedor perdeu a convivência e a criação de memórias afetivas com seus craques.” Quem diz é a psicóloga e escritora Ana Paula Hornos, em artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” de 13 de junho de 2026.
Há mais de um ano, o País assiste com misto de espanto e repúdio a narrativa quase diária dos descalabros ocorridos na Petrobras. Para alguém menos informado, pode parecer que os desvios na Petrobras e todas as ramificações da fraude representariam a crise mais grave do país, atualmente, tamanha a facilidade com que dirigentes da empresa, empresários e operadores se apossaram de bilhões de reais de recursos públicos. Tudo isso, amplificado por ampla cobertura da mídia nacional e internacional ao escândalo.
Não é bem assim. O que ocorreu na Petrobras representa apenas a ponta do iceberg das crises que permeiam a gestão atual do Brasil. Estamos há meses enfrentando três crises graves: econômica, política e institucional, para ficar apenas nessas três dimensões que afetam a gestão pública. Sem falar nas crises de ética, de confiança, de credibilidade.
A morte da apresentadora de TV, Alison Parker, de 24 anos, e do repórter fotográfico Adam Ward, de 27, durante uma transmissão de TV, ao vivo, na Virginia (EUA), nesta 4a. Feira (26), chocou o mundo da mídia e quantos abominam a violência como forma de resolver querelas pessoais ou profissionais.
A surpresa, com misto de horror, foi ainda maior quando se descobriu que o criminoso não foi nenhum fanático ou terrorista, como é comum nos EUA. Estes geralmente têm um passado psicótico, vivem obcecados pela violência e o uso de armas; ou sentem-se rejeitados. O que explica a maioria deles terem sofrido algum tipo de bullying na infância ou nas escolas; ou por se sentirem discriminados pela sociedade por razões étnicas, religiosas ou de gênero. Sem falar nos fanáticos ativistas que atacam por razões políticas ou religiosas.
O que levaria a maioria dos adolescentes que vive num país adiantado, das economias mais fortes do mundo, tecnologicamente avançado e com uma educação modelo a se considerarem infelizes? Deveria a felicidade de um adolescente ser medida por outros parâmetros? Ou felicidade, um estado que podemos sentir, mas não medir, dependeria de fatores que ainda desconhecemos?
O agravamento da crise de milhares de imigrantes em direção à Europa já é considerado o maior movimento migratório e a pior crise enfrentada pelos países europeus desde a II Guerra Mundial, há 70 anos. Grécia, Itália, Inglaterra, Alemanha e França são os países mais pressionados por levas de imigrantes, principalmente da África e Oriente Médio. Somente na Alemanha existem 450 mil pedidos de asilo, um recorde. E 50 mil imigrantes chegaram às ilhas da Grécia somente em julho, 124 mil em sete meses. O país diz não ter recursos financeiros nem humanos para mantê-los.
Francisco Viana*
A realidade aponta para uma questão: O que é hoje comunicação? Como desdobramento, uma outra pergunta: qual é o papel do comunicador? Quando nos debruçamos sobre a quantidade de presos ilustres que se sucedem nos cárceres da Operação Lava Jato em Curitiba, a primeira pergunta é: para que serviam seus assessores de comunicação? Será que ninguém levantou a questão da vulnerabilidade – para usar uma palavra elegante – dos modelos de negócio ou de gestão da coisa pública? E, se levantou a questão, foi sequer remotamente ouvido?
Se alguém esperava que a semana passada fosse abafar a crise no Brasil e no exterior, errou feio. Agravado pela prisão de José Dirceu, o cenário político piorou. E com ele o cenário econômico não para de colecionar notícias ruins. A indústria que não deslancha. A inflação que continua já a perseguir os mais pobres. Além de uma contínua ameaça de crise institucional, em que não faltaram sequer notas de coluna especulando se Dilma teria rascunhado a “carta de renúncia”.









