
Quando o país naturaliza a morte, a crise já aconteceu
Armando Medeiros de Faria*
O Brasil convive diariamente com números que deveriam nos chocar. Mortes no trânsito, acidentes de trabalho, enchentes, deslizamentos, rompimentos de barragens, assassinatos. São dados que se acumulam em relatórios oficiais, manchetes de jornal e estatísticas públicas — e que, paradoxalmente, deixam de produzir espanto.
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Há uma pergunta no ar que nos últimos dias perpassa as redes sociais e incomoda os manifestantes que, pacificamente, vão para as ruas protestar e não querem confusão. Por que a polícia dos diversos locais onde houve passeatas assiste passivamente ao avanço dos vândalos e arruaceiros e só age depois que eles começam a destruir bens públicos e propriedades privadas?
Há duas semanas, cientistas políticos e intelectuais de vários matizes, junto com a midia, escrevem e debatem para tentar interpretar e entender o grito de cobrança das ruas. Qual o desfecho de um movimento que começou, aparentemente, sem grandes pretensões, e conseguiu mobilizar milhares de pessoas pelas redes sociais para protestar, não mais sobre o preço das passagens, mas para mudar o país?
A mídia tradicional está em crise. Leitores jovens não compram mais jornais e revistas. Poucos veem televisão e alguns mal têm contato com um meio nem tão velho assim: o rádio. Pesquisa recente feita pelo site ypulse.com procurou saber da chamada geração “millennials”, jovens que nasceram na era digital e não conheceram a máquina de escrever, onde eles buscam as notícias para ficar informados.
O preço da passagem pode ser apenas o estopim, ou o pretexto. Comum nos países desenvolvidos, principalmente após o recrudescimento da crise econômica, a partir de 2007, os protestos nas ruas chegaram ao Brasil. De forma desorganizada e turbulenta. Muito adequados ao que tem acontecido aqui com outros movimentos semelhantes. Cada grupo se acha no direito de ocupar ruas, cidades, interromper o trânsito, invadir fazendas, prédios públicos, agências bancárias e outras instalações.
“A ventania reformadora dos meios de comunicação voltou ao Brasil da pior e da melhor maneira. Cortaram-se vagas e poderão ser extintos títulos que fizeram história. Esse é o aspecto fim do mundo. Há o outro, do mundo novo”. Assim o jornalista Elio Gaspari, abre hoje a coluna semanal publicada nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo.
Relatório anual do Institute for Crisis Management (ICM), dos EUA, publicado agora, constata que bancos, setor farmacêutico, montadoras de automóveis e lojas de varejo foram os protagonistas do maior número de crises no ano passado.









