
Quando o país naturaliza a morte, a crise já aconteceu
Armando Medeiros de Faria*
O Brasil convive diariamente com números que deveriam nos chocar. Mortes no trânsito, acidentes de trabalho, enchentes, deslizamentos, rompimentos de barragens, assassinatos. São dados que se acumulam em relatórios oficiais, manchetes de jornal e estatísticas públicas — e que, paradoxalmente, deixam de produzir espanto.
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Guerras, tragédia, batalha no Congresso e crise econômica submetem o Presidente Obama à prova todos os dias. Num período conturbado da história dos EUA, governar se transforma em saber lidar com crises quase diárias. O que significa conviver com crises?
A crise atingiu a imprensa brasileira. A circulação ds grandes jornais caiu 6% no primeiro semestre, em relação a 2008. As maiores perdas foram dos jornais O Dia (-24%), Extra, Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo (-17%). Diário de S. Paulo (-11%), Diário Gaúcho e Meia Hora (-9%), O Globo (-8%), Folha de S. Paulo (-7%) e Super Notícia (-4%) também registraram perdas.
A pesada multa anunciada pelo ministério da Justiça às empresas telefônicas Oi e Claro é a o ápice de uma crise anunciada desde quando essas empresas chegaram ao Brasil. As duas, junto com a Telefônica, são apenas o lado mais visível do que acontece com todas: desrespeito total ao consumidor, às leis e às autoridades.
Quem pensa que só as fontes precisam gerenciar crises na relação com a mídia, está enganado. O tablóide britânico News of the World enfrenta uma crise de credibilidade, ao ser acusado pelo concorrente The Guardian, na semana passada, de ter grampeado ilegalmente centenas de celebridades e políticos para ter acesso a informações pessoais, entre eles a modelo Ellen Mcpherson. Ao mesmo tempo suscita questionamentos sobre a ética jornalística em buscar o furo a qualquer preço.
Era o que faltava para apimentar ainda mais o clima de crise do Congresso Nacional. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou quinta-feira (9) que a Fundação José Sarney, do Maranhão, é suspeita de desviar R$ 1,3 milhão para empresas fantasmas e outras da família do Senador.
O site politico.com revelou na semana passada que o jornal Washington Post, um dos mais influentes periódicos dos EUA, organizava jantares com a presença de membros do governo Obama, Congressistas, lobistas e editores do Post pelo preço de US$ 25 mil. O patrocínio anual poderia custar US$ 250 mil. Tudo foi divulgado num folder publicitário, que dizia “tratar-se de uma oportunidade exclusiva para participar do debate sobre reforma da saúde” com as pessoas que de fato irão fazê-la.









