
Relatório Anual de Crises de 2025 mostra crescimento das categorias cybercrime, má gestão e assédios
O ICM-Institute for Crisis Management, dos Estados Unidos - que há vários anos publica um Relatório Anual das principais crises corporativas no mundo – (1) registrou 1 milhão 232 mil notícias sobre crises em 2025, um aumento de 8% em relação a 2024. Mas, ainda significativamente abaixo do pico de quase dois milhões de casos registrados em 2023. As crises que dão sinais antes de acontecer (smoldering crises) (2) mantiveram sua posição histórica, representando 65% das notícias monitoradas, enquanto o cybercrime voltou a aparecer como a categoria com a maior proporção de notícias, ocupando um quarto do total das crises do ano. As crises repentinas (sudden crisis) representaram 35%. Várias categorias apresentaram variações surpreendentes, especialmente ações coletivas (*class actions lawsuits*), com percentual de 2,24% caiu para o menor nível; enquanto casos de assédio sexual (15,26%), tiveram um aumento fora do normal. Categoria esta que nunca apareceu com tanto destaque, em qualquer Relatório anterior.
Os últimos dias foram pródigos em crises de todos os matizes no Brasil. Não se trata da crise econômica. Essa não sai da pauta. Mas crises que ameaçam reputações. Denúncias envolvem o Congresso Nacional. Operações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal enquadraram uma empreiteira e a maior loja de artigos de luxo de S. Paulo.
A crise na área de pessoal do Senado Federal é apenas uma pequena mostra do que permeia os poderes da República. Começa em Brasília, no Executivo, passa pelo Legislativo, o Judiciário e se estende até a mais pobre prefeitura dos municípios brasileiros. É o descaso com o dinheiro público. Quando um desafeto, o opositor ou até mesmo a mídia descobrem, o tema toma ares de escândalo e todo mundo sai correndo para fingir que vai trancar a porta.
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou, na reunião semestral encerrada em 16 de março no Paraguai, os ataques contra a imprensa por parte de alguns governos latino-americanos, o uso da publicidade oficial como forma de pressão e os assassinatos ocorridos no último semestre no México, na Venezuela e no Paraguai.
Em tempos de crise, envolvidos pelos problemas econômicos mais prementes, os executivos esquecem de cuidar da própria reputação na internet. Hoje, o resultado da simples citação, links ou páginas no Google, com viés negativo, pode ser tão desastroso quanto o prejuízo financeiro. Por isso, os especialistas em gerenciamento de crise alertam os executivos para não se descuidar dos mecanismos de busca que envolvem a própria reputação.
Mais da metade da população do mundo possui uma linha de celular pago e quase um quarto utiliza a internet, principalmente no chamado mundo desenvolvido, segundo reportagem publicada no jornal britânico The Guardian . No fim de 2008, a estimativa era de 4,1 bilhão de assinaturas de aparelhos celulares, contra 1 bilhão em 2002. Os dados constam em relatório divulgado em 2 de março pela International Telecommunnications Union-ITU, uma agência da ONU. A expectativa é que somente em 2010 essa marca fosse atingida. O celular desponta também como uma das tecnologias surgidas nos últimos anos de mais rápida difusão.
O recente episódio da festa dos prefeitos que o Governo Federal patrocinou em Brasília, com mais de 15 mil pessoas, mostra como é difícil as autoridades públicas lidarem com a transparência. Quando a imprensa quis saber quanto o governo havia gasto no convescote, a primeira informação foi R$ 253 mil. Como ninguém acreditou, o governo achou que a crise faria a imprensa esquecer os gastos.









