O patético vazamento de uma ação de guerra dos Estados Unidos
O mundo se acostumou a encarar e respeitar os Estados Unidos como uma das maiores potências do mundo, não apenas pela força da economia, do empreendedorismo, da excelência de suas universidades, como principalmente pelo poderio bélico, historicamente presente em todos os grandes conflitos desde o início do século XX.
Ao mesmo tempo, os países do Ocidente, historicamente, aprenderam a admirar os líderes políticos e militares por trás desse poder. Desde os chamados "pais da república" americana, os "Founding Fathers", um grupo de figuras históricas que desempenhou um papel crucial na independência e na formação do país: George Washington, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, John Adams, e James Madison.
Leia mais...Cara Volkswagen,
Todos nós amamos seus comerciais e anúncios impressos. Sua equipe de marketing cativava motoristas e seus carros funcionavam. Você construiu uma base de boa ética, que por 50 anos conseguiu entreter e satisfazer-nos como consumidores, apenas para desperdiçar com uma decisão que ainda temos dificuldade de entender.
Um famoso provérbio japonês diz: "A reputação de mil anos pode ser determinada pela conduta de uma hora." Poderia haver uma frase mais aplicável a este caso?
Os Estados Unidos vivem na linha de tiro. Como os personagens principais do filme de 1967, “Bonnie e Clyde: uma rajada de balas”, é assim que as crianças e os jovens americanos se sentem hoje, quando vão para o colégio. Ontem ocorreu o 45º atentado a tiros com vítimas fatais este ano, nos EUA, em uma escola comunitária de Umpqua, Rosenburg, no estado do Oregon, deixando 10 mortos (um deles o atirador) e sete feridos. Uma triste rotina que, pela recorrência, não deveria mais nos surpreender. Por que uma das economias mais poderosas do mundo, que se atribui o papel de juiz de várias revoltas e guerras em outros países, é incapaz de proteger suas próprias crianças?
Olaf Lies, membro do conselho da Volkswagen e ministro da economia da Baixa Saxônia, disse em entrevista ao programa Newsnight, da BBC, nesta terça-feira (29) que alguns funcionários da empresa agiram criminalmente sobre a fraude com os testes de emissão dos carros da montadora.
Francisco Viana*
Crises custam caro. Falhas éticas custam reputações e carreiras. Quanto consumirá, em dinheiro, o escândalo da falsificação dos poluentes em carros a Diesel pela Volkswagen, ainda ninguém sabe. Mas as cabeças começam a rolar: a primeira foi a do presidente executivo da VW, responsável pela operação, agora anunciada. O que virá a seguir?
A Volkswagen pode ter usado software para testes de emissão de diesel falsos também nos motores de 1.2 litros, ampliando o número de veículos sob escrutínio, segundo o ministro dos Transportes da Alemanha, Alexander Dobrindt.
"Há também a discussão agora de que carros de 1.2 litros, assim como os 2.0, estariam igualmente afetados pela fraude, disse o ministro em um discurso no parlamento em Berlim nesta sexta-feira. "Pelo menos por agora acreditamos que possíveis manipulações podem ter vindo à luz também. Isso precisa ser investigado nas atuais conversações com a Volkswagen. "
Não existem empresas imunes à crise. Não importa o tamanho, a natureza e a localização. "Fizemos uma asneira. Temos sido desonestos com a agência de proteção ambiental (EPA), com o conselho da agência que lida com o ar da Califórnia (ARB) e temos sido desonestos com os senhores", admitiu Michael Horn, o presidente da Volkswagen (VW) nos EUA, nesta terça-feira. O CEO da empresa, Martin Winterkorn, pediu desculpas num vídeo divulgado pela VW: "Eu estou infinitamente desolado por termos decepcionado a confiança" de milhões de pessoas em todo o mundo.